terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A feminista e a barata execrável: notas sobre um “debate filosófico” abortado.

Marcia Tiburi é filósofa, feminista , figurinha fácil da rede Globo((já foi do canal GNT no programa “Saia Justa”), quando depois de um tempo debatendo, dentre outras,  com Maitê Proença, Luana Piovani e Beth Lago (uma alma irreverente que já se foi do nosso mundo) cansou-se delas e chegou a dizer: 

“Com todo respeito, nem todo mundo ali sabia o que o debate significava. Era de lascar. Eu não queria que elas concordassem comigo, mas, pelo amor de Deus, que apresentassem um argumento válido! Participar do programa me deixou muito feminista, porque o grupo era muito conservador. No ‘Saia justa’, percebi que as próprias mulheres denigrem as mulheres. A Mônica(Waldevogel) também sacou isso. Mas as outras não tinham condição de entender o que estava se passando. A Luana Piovani era uma bobinha do mal. A Maitê é a Luana vezes dois. Era insuportável. A Betty Lago era divertida, mas uma bobalhona”

Maitê então disse uma verdade incomodativa sobre Marcia Tiburi:

 “Ela já declarou que odeia a própria mãe, disse que não gosta das gordas e agora ela assumiu que odeia todas as lindas. Tadinha dela."

Marcia disse que se arrependeu do que disse. Devia mesmo. Não é elegante pra uma filósofa aceitar debater com as devidas colegas (lindas!) e depois falar isso delas.

Seja como for, Marcia se envolveu em outra treta. Estava na rádio Guaíba no dia do julgamento de Lula,  toda serelepe  conversando com Jurandir Machado , o dono do programa onde participaria de um debate,  quando a barata, digo, Kim Kataguiri, ele mesmo em pessoa, adentrou o recinto e deu, oh horror, um beijo na filósofa em questão. Era ele, junto com Roberto Requião e ela, os debatedores do dia. 

Marcia se levantou em choque anafilático e disse para Jurandir:

“Nossa, meu, sério. Me avisa a próxima vez quem tu convida pro teu programa. Deus me livre, Deus… que as deusas me livrem disso, tenho vergonha de estar aqui! ô cara, gosto tanto de ti, mas eu não falo com pessoas que ‘são assim’, que são indecentes , que são perigosas. Tenho até medo de estar aqui, tô indo embora.”




Kim, de 22 anos, disse rindo: 

...”Eu sou um japonês inocente”


Ora, sabemos que Kim é tudo, menos inocente. Culpado até o último fio de cabelo. Ele é, no entanto, de fato um japonês e um japonês franzino e novinho. Dava pra ver que Kim sentiu o preconceito no ar com essa frase que proferiu...

Marcia é uma mulher empoderada, feminista, globalista e antifascista. E tem 47 anos de experiência de vida nas costas. Por que tanto medo de Kim, o franzininho fascista do MBL que nem a “direita” respeita? Ela não estava em clara vantagem? Por que não aproveitou pra dar um “banho de moral” no fascistinha?

Depois Marcia escreveu uma carta aberta na revista Cult para Jurandir, onde se justificava obviamente e fazia a mea culpa do debate abortado:

“Ao longo da minha vida me neguei poucas vezes a participar de debates. Sempre que o fiz, foi por uma questão de coerência. Tenho o direito de não legitimar como interlocutores pessoas que agem com má fé contra a inteligência do povo brasileiro ao mesmo tempo em que exploram a ignorância, o racismo, o sexismo e outros preconceitos introjetados em parcela da população.


Por essa razão, ontem tive de me retirar do teu programa. Confesso que senti medo: medo de que no Brasil, após o golpe midiático-empresarial-judicial, não exista mais espaço para debater ideias."   (...)

Olha que grande oportunidade perdida: a de debater com um fascista e tentar livrá-lo dos preconceitos sexistas, racistas e ignorantes. Afinal, é para isso, entre outras coisas, que serve a filosofia.

E ali estava o espaço desperdiçado para o debate de ideias, que ela teme que não possa mais existir. O espaço que lhe foi dado pelo próprio amigo Jurandir Machado, que não acreditou no ocorrido:

“- Jura, Marcia?”

Ele perguntou olhando atônito, enquanto ela se retirava, com uma mochila nas costas.

No entanto, eu penso que Marcia tinha todo o direito de se esquivar do debate sim. Até porque do jeito que ela saiu dali, via-se que ela não tinha mesmo condições emocionais pro debate. Kim a desestruturou por completo.

Esbaforida, ela parecia estar sofrendo um ataque de pânico. Quase o tratou como um assassino em potencial.Perigosíssimo. 

Na cabeça dela, e pelo horror paranoico que demonstrou, podia ser que esperasse que Kim sacasse uma arma ali mesmo e a matasse.

Nada disso aconteceu. Kim, contido e bem educado (embora eu não consiga concordar com uma palavra do que ele diz, leia-se bem), ficou até o fim do debate com Requião e ninguém morreu. Muito pelo contrário. Embora Requião, raposa velha, tenha sido extremamente grosseiro (o que já se esperava dele) conferindo o celular o tempo todo e demonstrando impaciência e desconsideração pelo seu oponente, ainda assim creio que a raposa velha venceu o debate, não na educação, que nisso, Kim foi impecável. E o próprio Jurandir falou sobre isso depois.

Segundo ela mesma disse: ia dali “direto pro psiquiatra”. Precisava mesmo. Precisa parar de agir desumanizando os outros. Talvez um psiquiatra lhe ajude a respeitar a humanidade alheia...

Não cai bem pra uma pessoa que se diz filósofa tratar oponentes como baratas que adentram o recinto. Debatendo ou não com eles, tenha dó, aja com elegância, ele é um ser humano.

O horror kafkiano da filosofia

Muitas pessoas falaram sobre o livro de Marcia Tiburi e as contradições que advém de uma filósofa que escreve um livro sobre “fascismo”, mas não debate com um suposto fascista.

Pelo que eu li sobre , o livro dela conclui , ao final, que é impossível o diálogo com um fascista.  

 Não discordo. Porém não vou perder o meu tempo  refletindo sobre  a paranoia que faz Marcia Tiburi escrever sobre fascistas, nem de longe isso me interessa. Por que eu leria um livro com um título apelativo como: “Como conversar com um fascista?” de uma pessoa que sequer sabe o que é uma conversa? Não estou certa também de que ela saiba o que é um fascista.Parece-me mais que usa essa palavra ao seu bel prazer.

Mas, uma coisa é certa. O livro agora vai bombar, porque no Brasil é assim. Todo mundo adora ler coisas polêmicas e é por isso que estou escrevendo isso aqui...rs

Penso que Marcia Tiburi manchou um pouco a sua reputação com esse “ato falho”, nem sei se covarde ou se de teor puramente preconceituoso. De qualquer jeito, teve uma atitude arrogante e  perdeu uma chance única de um debate em que podia aniquilar com um adversário de um só golpe.  

Cheguei a sentir vergonha alheia, vergonha que venho sentindo muito ultimamente.

Como se já não bastassem as minhas...

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