sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Empoderamentos 3: Os novos pais

   Tolstói disse que os homens deveriam libertar as mulheres para serem, eles também livres. De fato, as mulheres que conquistam a liberdade sonhada, liberam os homens do compromisso para com elas. É uma liberdade que tem seu preço, obviamente – a responsabilidade, que alias é o preço de toda liberdade. Homens livres, mulheres livres. Sonho de consumo, que só funciona na prática, se os dois se ajudarem a serem realmente livres. Não é tão simples. 
   Num episódio a que assisti naquele canal feminista, que todo mundo sabe qual é (eu não preciso dizer o nome), e que determina a moral e o comportamento dos brasileiros, falava-se dos novos pais. Um deles veio para o Rio e ficou a cuidar das filhas enquanto a mulher trabalhava. Ele sentiu-se “vagabundo” no início, disse que seus avós e bisavós mortos "clamavam" dentro dele pra ir à luta ( e, ora homem, por que você não foi?), mas, o programa deu a entender que ele superou o conflito e está bem assim invertendo o papel com a sua mulher. E lá aparecia ela chegando em casa com cara de executiva poderosa, de terninho - a roupa clássica da mulher empoderada - enquanto ele ,dava banhos nas filhas e tocava violão com elas.  Ele, inclusive disse que acha que está antecipando o futuro, que “quem sabe como serão as famílias no futuro?”, se não serão assim....
   Como assim?  Então no futuro, devo esperar que os homens  virem donas de casa à moda dos anos 50 e as mulheres, homens que sustentem a casa?  Será que as mulheres estão querendo isso?!?!?!?Uma troca dos valores machistas pelos feministas radicais?
   Num filminho besta americano: “ 5 anos de noivado” , um casal passa por uma situação semelhante. Ele é um chef de cozinha bem sucedido, mas ela é uma acadêmica que consegue uma vaga em outro estado, no setor de psicologia. A vaga dos seus sonhos. Então ele abre mão do emprego seguro no seu restaurante para acompanhá-la. Não preciso dizer a crise pela qual ele passa enquanto a noiva prospera no tão sonhado emprego – que, por sinal era quase uma piada- mas o filme era uma comédia e americana, portanto o espectador só tem que seguir a história sem se ater a esses “detalhes”. O fato é que ele vai pirando aos poucos. Deixa a barba crescer de uma maneira horripilante e fica meio louco, meio selvagem. Ao final, eles chegam a uma solução, com um food truck que podia ir e vir entre as cidades, pra que ela não sacrificasse o seu emprego e ele voltasse à ativa. Mas na vida real não é tão fácil.

Jason Segel e Emily Blunt em "Cinco anos de noivado"

   Lembro-me  de como eu também fiquei meio louca quando fiquei em casa só cuidando de filha.Ninguém sabe a depressão  que é não ter um objetivo na vida, a não ser que se passe por isso.
    Foram anos ruins, excetuando a maternidade, que era a parte boa.
    Em geral vejo aqueles anos como um abismo, um vácuo, um certo vazio...como se eu estivesse hibernando...
   Foi difícil voltar à tona e acho que até hoje sinto o peso de não ter começado mais cedo...seja como for, o que quero dizer é que ninguém deve abrir mão daquilo o que quer ou precisa fazer, mesmo quando isso envolva uma outra pessoa “ parceira pra vida toda”. Primeiro porque sabemos que a vida toda, pode não ser “a vida toda”, como não foi no meu caso. Um dia o parceiro se vai e ficam as feridas e uma sensação de que recomeçar não é fácil e que você devia tê-lo feito antes. Quanto mais rápido você lutar por sua independência, melhor pra você...
   Talvez o emprego dos sonhos deva ser sacrificado se você ama alguém e vai anular aquela pessoa...ninguém merece ser um peso nulo na vida e, definitivamente, não nascemos pra isso. Nem homens nem mulheres.
   Se ser feminista envolve tornar o homem um fraco, abro mão disso. Do meu lado quero um homem forte, como eu mesma quero me sentir forte...e a gente sabe como a vida , dificilmente  nos permite (ainda mais nesse país) essa condição da força...



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