sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Empoderamentos 1: feminina , não feminista

     Fui criada numa família onde as mulheres eram fortes e femininas, não feministas. Lembro sempre da minha avó me alertando  em mais uma de minhas muitas discussões com o vovô:
- Não discute com o teu avô, deixa quieto...
  "Deixar quieto" era o "f..."  que ela dava pra não se aborrecer(minha avó era da paz, embora mulher forte, tão forte que sinto que a família se dissolveu quando ela morreu. Ela era agregadora (e  é isso que as grandes mulheres são, na minha cabeça, e não outra coisa...).
  Mulheres de Atenas. Nunca entendi porque o machismo dessa música foi compreendido como feminismo, assim como outras músicas de Chico Buarque que são claramente músicas de malandro macho.  Mas os estudos acadêmicos estão aí provar que Chico Buarque não disse aquilo que disse, disse outra coisa e quem entendeu isso literalmente, é idiota, claro...
   Tem até bloco de carnaval chamado “Mulheres de Chico”, cujo estilo é todo feminista e as mulheres que o criaram, embora “Mulheres de Chico” (com possessivo e tudo) são todas feministas, of course. Essas mulheres, ao que parece, são as empoderadas que existem nos versos, que, aliás eu adoro,  como:
   “a Rita levou o meu sorriso
     no sorriso dela”...
  Ah, bom, agora deu pra entender porque Chico é feminista... 
  Chico quis dizer que “mirem-se” era um alerta, claro. Então por que não disse, ora bolas?
  É  certo que a truculência, a “sujeitice”  das prostitutas, donas de casa, mulatas devassadas pelo patrão e tudo o mais que vem da obra de Chico,  e que incomoda,   tem um quê de dubiedade. Chega-se, desconfiado, com a orelha de pé, a pensar se Chico pensa ou não pensa aquilo o que diz. Mas  muitas destas letras foram escritas para fazer parte de peças teatrais retratando personagens do nosso imaginário nacional, que, tout court, é machista e Chico só faz refletir isso. Portanto , é normal que exista sempre uma mulher ao pé da porta “sem carinho, sem coberta”.
   Recentemente, o cantor foi criticado pelas feministas por escrever estes versos no seu último lançamento:

   Quando teu coração suplicar
   Ou quando teu capricho exigir
   Largo mulher e filhos
   E de joelhos
   Vou te seguir

  Segundo  elas é inconcebível escrever isto e ser tão perverso com a mulher e os filhos, ficando com a amante. Ora, ...as feministas querem tantas mudanças e são tão conservadoras....
   Assim chegamos a um paradoxo: o poeta das feministas, agora é machista!Ora, ora...
   Sinceramente, achei patrulhice demais, essas feministas estão como os pombos, ficando sem limites!
   Estava dia desses pensando nessas questões das mulheres da minha família, e me veio à cabeça esses empoderamentos todos de que se fala sem parar agora...
   Estão nas letras de Beyoncé chamada de mulher poderosa, por nove entre  dez que se dizem feministas (pelo menos as que eu conheço), tenho até uma amiga minha feminista que disse que a “Beyoncé tem direito a cantar o que quiser , fazer o que quiser e se vestir como quiser”.  Imagem queridinha , modelo de empoderamento. E é assim que ela faz. Se veste de maiô pra cantar, sensualizando e fazendo letras como:


   I see it, I want it


   I stunt, yeah, yellow-bone it

   I dream it, I work hard

   I grind ‘til I own it

   I twirl all my haters
   Albino lligators
   El Camino with the ceiling low
   Sippin’ Cuervo with no chaser
  Sometimes I go off, I go off
  I go hard, I go hard
  Get what’s mine, take what’s mine(,,,)



   When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, cause I slay
   If he hit it right, I might take him on a flight on my chopper, cause I slay

   Drop him off at the mall, let him buy some J’s, let himshop up, cause I slay

   I might get your song played on the radio station, cause I slay

  I might get your song played on the radio station, cause I slay
  You just might be a black Bill Gates in the making, cause I slay
   I just might be a black Bill Gates in the making, cause I slay

Beyoncé, agora feminista
   (Aparentemente o poder de Beyoncé é tão grande, tão violento, tão raivoso, que ela sente necessidade de  esbravejar desse jeito e mostrar que pode ter, ter, ter, ter, ter tudo e ser voraz. Lógico que usando o corpo. Elementar, caro Watson... Ah, que canseira!). 
   Está no poder da bunda de Anitta, também territorializada pelas feministas que a veem como um ícone de feminismo porque "ela faz o que quer", palavras de uma delas. Tive que ouvir também que não se pode "desconsiderar a importância do funk  na propagação do direito à liberdade sexual por uma série de cantoras entre elas Anitta, Mc Carol, Ludimilla e Tati Quebra Barraco, em um mundo meio que dominado pelos homens".  
  E que ninguém precisa ouvir , mas deve "reconhecer como expressão cultural e social" . (Ah bom, se eu não preciso ouvir, já melhorou bastante...rs) Só não sabia que a liberdade   sexual precisava de um empurrão.  Essa pra mim é nova...juro!Deve ser por isso, que as adolescentes frequentavam os bailes funks sem calcinha. Se você não sabia por que , agora sabe que era pra dar uma força na liberdade sexual desses nossos dias tão castos...rs.
   Que seja uma expressão cultural , todo mundo sabe ,uma vez que se considera cultura tudo o que produzido pela sociedade, tenha qualidade ou não, mas, isso é assunto pra outra hora. 
 
Anitta : dando uma força pra "liberdade sexual"
   É engraçado que as feministas declarem: “meu corpo, minhas regras” com tanta empáfia e achem normal usá-lo num sentido depreciativo. É como se elas institucionalizassem  a mulher objeto, que agora é  exatamente a mesma mulher objeto dos tempos machistas, só que, por uma mágica, uma lógica secreta que só as feministas entendem, ou os seres extraterrestres, se tornou a VADIA EMPODERADA...cujos homens são meros carneirinhos que ficam olhando , mas não podem se aproximar de verdade, só foder bem e ir embora. E “apanhar na cara”, naturalmente, como diz Anita naquele seu hit...
   Eu não sei exatamente como essa “vadia” pode ter poder, pois é fato que as mulheres continuam vendendo seu corpo e sua imagem, assim como no passado e fazendo tudo pra chamar a atenção,(mais ainda em decorrência da sociedade do espetáculo),...sem falar que a relação com os homens não mudou muita coisa, a julgar pelo modo como eles são tratados por elas , eu diria que piorou.
   (Eu nunca vou entender esse mundo...).
   Se isso é ter poder, prefiro ser uma heroína de Jane Austen...

   Fui!



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