sexta-feira, 30 de junho de 2017

A celebridade-embaixatriz da culinária, Bela Gil

Da série: Não se leve tão a sério

   As pessoas estão secas por histórias midiáticas, que vendem e passam a "bombar" na internet. Qualquer narrativa vale. Tudo vende. O cotidiano de qualquer um interessa. Nos mínimos detalhes. Vejam-se as celebridades que narram suas belas histórias dignas de exemplos e acompanhamentos fidedignos: Kardashians, Bela Gil, etc.
   As pessoas ganham programas na televisão pra expor sua vida de forma inexplicável. A quem interessa isto? Pelo visto a muita gente, já que existem esses programas, essas vidas “narradas”, esmiuçadas, a ponto do enjoo e do espanto moral. E tudo não passa de uma maneira de esculpir uma imagem e fazer os idiotas pagarem por ela. É a doença da década.
   Não é que eu tenha implicância com a Bela Gil( já falei dela aqui uma vez) -porque como costelinha de porco, a acho meio chatinha e, na boa, superestimada- ,  como os fãs mais ardorosos da filha do Gilberto Gil podem pensar.  Às vezes a acho simpática e ela de vez em quando esbanja um ar de coleguinha da escola, mas às vezes....ai ai ai,  ela pede pra  falarem dela , deve  ser fã daquela máxima:  “falem mal de mim, mas falem”, enquanto diz que não dá importância pra isso. Mentira. Ela gosta dos holofotes, enquanto fala:  “não tô nem aí, nada me afeta”. Se não fosse assim, não tentava bancar a embaixatriz do Brasil na questão da boa alimentação e não usava a cada minuto a influência do clã Gil. Sim porque aquilo é um clã e não no bom sentido, se é que alguém aí me entende. Um clã ou uma máfia como queiram, aliás, como outros muito mais perigosos que existem no Brasil e nos vão enfiando, vocês sabem, goela abaixo. Cuidado com essa gente...
   Bela Gil se autoproclama, além de chef (que nunca foi)  -ajudada por um passaporte de Alex Atala e outros que enchem a bola dela sem parar - ,  uma missionária  da boa nova alimentar. Diz que pretende viajar pra doutrinar em cada cantinho interiorano do país  e já vejo a hora dela querer  abrir um canal de culinária , ou, pior,  se candidatar a alguma coisa, como seu próprio pai que foi Ministro. O que é muito fácil pra ela, convenhamos.  E, depois ela vai dizer em entrevistas o quanto foi difícil e batalhou por isso. Mas não é tão difícil assim pra quem se autopromove de cinco em cinco minutos com um celular na mão no próprio programa, narrando cada passo de si mesma...Aliás, o clã Gil vai de vento em popa impulsionado por esse talento midiático da Bela, que é franzina,  mas,  de fraquinha não tem nada e administra o programa “Vida mais bela” com mão de aço, usando o espaço como um arremate pra autopromoção constante e tediosa.

E a linhaça ...
   Senão, vejamos: no programa dela toca insistentemente tropicalismo, músicas do pai, do irmão, do Caetano Veloso ou aquelas músicas horrorosas da Bahia. Uma janela pra promoção de si mesma, da própria família e dos amigos que lhe interessam.  Há um tempo, isso se chamava nepotismo. Mas, agora, essa palavra caiu de moda...
E ela manda bem no marido, mulher forte é assim mesmo, como prega a nova onda feminista. Deve ser por isso que o coitado já virou motivo de piada no meu trabalho, quando aparece no programa com cara de quem precisa de um bom bife mal passado (apesar de bonito, tem cara de anêmico). E vez em quando fala rancoroso pra câmera, entre caras de desprezo pra própria mulher, de quem espera de vez em quando uns beijinhos, pra não pegar mal: “Quem cozinhava antes era eu....”

"Quem cozinhava antes era eu"
   Pois é, meu irmão, agora quem canta de galo e de panela  é ela e ele só diz amém e segue atrás assessorando a vida da grande mulher  e carregando o bebê  (que, por sinal,  é  muito  lindo , fofo e usado pra derreter corações como o meu) . Sem falar na filha, que também é usada como modelinho de estilo de vida saudável, enquanto procura os funcionários do GNT pra lhe dar chocolate escondido da mãe (opssss.....)
   Preta Gil que não canta, mas é cantora, que o diga. Vira e mexe se aproveita da irmã pra aparecer um pouquinho.
    E agora o clã Gil inteiro domina parte do canal GNT, que tenta emplacar também a banda do irmão que compõe música “tropicalista- canção de ninar”, com uma cantora (a esposa dele, se não me engano) que não canta lá muita coisa, mas sussurra bem (estilo Nara Leão gripada) e faz pose de celebridade-família grávida. Ou foi mera coincidência a exibição deles no “Família é família”???
   Este aqui, o “Família é família”, é uma espécie de pregação dos “novos” formatos sociais, que, a julgar pelas famílias que lá estão, são quase todos egressos de Woodstock. O  que  o programa mostra, de fato, é o formato “república de estudantes” para os crescidinhos... rsrs. Tendência atual de tempos de crise, mas longe de ser novidade, como faz crer o programa. Repúblicas estudantis, e comunas yogues,  políticas, teatrais , de simples amizade, existem há séeeeculos, me poupe...
   Poderiam deixar o clã Gil de fora dessa, foi um pouco demais. E , como eu não acredito em coincidências, só  tenho a dizer que onipresença tem limite e cansa. E digo isso, prá não dizer que foi pura lavagem cerebral, manipulação pra vender (mas, não a república familiar...).
   E, claro, Bela Gil bomba porque muitos gostam dela e/ou enfiaram na cabeça que precisam dela pra lhes dizer o que comer e como viver, como se ela tivesse um oráculo da felicidade (como drogados precisam de droga, brasileiro cria dependência de tudo, a porra da falta de identidade); e outros, a acham tão chata, que esse ridículo e chatice a torna digna de nota.
   Isso significa, em última instância, que bancar o bobo com propriedade, com pose de quem sabe o que está fazendo, algum conhecimento do riscado e muita autopromoção, pode te tornar uma “celebridade”. Ajuda se você tiver uma família eminente. Tente.


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