terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sobre o face

Meu namorado diz que não passa de uma ilusão a ideia de que somos vistos e/ou ouvidos pelos outros no facebook:  seríamos como narcisos admirando fotos e fatos de si mesmos no meio de outras pessoas, que fingem que nos veem. A pessoa pensa que está compartilhando, mas, na verdade, só compartilha com distraídos que mal leram ou viram o que ele postou.

Zuckerberg “criou” o face com a ideia de  suprir as necessidades sociais de Harvard. Era uma espécie de serviço amoroso e social entre os universitários. De lá pra cá, basicamente, o face não evoluiu: aproxima pessoas comuns pra mostrar suas vidas, pra que os outros testemunhem a existência delas, e os admirem e aprovem na sua maneira de sentir, viver, viajar, curtir a vida, até comer, eventualmente se encontrem, namorem (nunca vi acontecer, mas tudo bem), etc.  Nada além disso. Ou  tudo isso, pra quem acha que é muito. Será?


O face continua basicamente burro...quem ganha dinheiro com ele não esta interessado em revolucionar nada, não quer melhorar as pessoas, nem estão interessados numa troca de pensamento entre elas.

Nada é feito no sentido de aproximar pessoas com interesses comuns, por exemplo. Não há filtro pra isso. Pra isso ele ainda é como uma busca de agulha num palheiro, porque os grupos (que deveriam unir pessoas com interesses comuns) são tão misturados, com pessoas tão diversas dentro deles, que não chegam a unir aquelas que poderiam realmente usufruir de um encontro e a informática, com todo o seu aparato, não consegue fazer isso, porque não quer, obviamente. E você nunca acha a “sua turma”e acaba no meio de outras ou sendo (mal) comprendido/a.

 Enfim, se resume a uma poluição visual, um intrometimento compulsório na vida alheia além do limite aceitável, um cruzar de gente que conhece  gente que conhece gente, que não conhece ninguém...e , no saldo final, fica devedor. Quem cria o perfil com intenções maiores do que essa, dificilmente consegue o intento.

Você  é abusivamente invadido por uma chuva de informações que não pediu pra ter, de bobagens que não pediu pra ler, de notícias excessivamente mastigadas, confusas ou desnutridas, de fotos de amigos de amigos que você nem lembra quem são, você devia estar de porre quando aceitou a amizade de alguém que tinha trezentos amigos em comum com você , mas você nem sabe quem é. O face não perdoa nem  os bêbados...

E é isso mesmo: as redes sociais não pretendem ser inteligentes, embora as pessoas acreditem que elas o sejam.  O mais perto que se chegou de uma rede social inteligente, foi o finado Orkut, com as comunidades de  pensamento, música, etc.

Fora isso, o conteúdo positivo  que circula por ali é quase anulado pela chuva de bobagens. Até pessoas inteligentes e de bom senso ficam bobas no face. Sei lá por quê. É um mistério. Parece que ele tem o  poder de embriagar o raciocínio.

Já vi amigos defendendo e dizendo que encontraram amigos que não viam há anos ou perderam de vista e isso seria uma vantagem. Mas eu digo que, provavelmente (na maioria dos casos)você só vai continuar vendo por ali mesmo. E, mais triste ainda,  talvez muitas pessoas simplesmente não queiram ser encontradas e estão ali por outros motivos. Falo por experiência própria , procurei antigos amigos que , sequer  me responderam a um simples recado e eu mesma não tenho vontade de encontrar muita gente...

Fora as situações, como a ridícula frase: “fulano e siclano estão num relacionamento sério” ...ai ai ai. Eles não conseguiram pensar numa  frase mais brega? Deve ser a nova maneira de dizer: “ ate que a morte os separe” ou o casamento...

Sem falar o que todo mundo já sabe, ele estimula o “sou feliz como ninguém” . Ninguém é triste, nem feio, nem fica deprimido ou vive maus momentos no face.

Enfim, é um lugar de gente feliz,  exatamente como o Pão de Açúcar, o supermercado...

(E, agora, eu vou ser expulsa daquela merda de vez...rs)






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