domingo, 15 de março de 2015

TECLO, LOGO EXISTO


Assim como existem as clínicas detox pra viciados em química, seja o chocolate o álcool ou as drogas,  deveriam haver aquelas pra viciados em eletrônicos. Os pobres coitados não conseguem acreditar que possam sobreviver um dia no mundo sem eles...

Dia desses num restaurante mexicano bem interessante uma pobre mocinha contemporânea tentava conversar na sua mesa com cinco amigas, mas elas estavam todas ocupadas, cada uma no seu próprio celular. Silencio total na mesa. Só se ouvia o barulho das teclinhas. Volta e meia uma delas, mostrava rindo alguma coisa pra outra, que ria também, mas voltava rapidamente aos seus jogos pessoais no seu próprio celular. O garçom ia, o  garçom vinha. Num certo momento ele ficou esperando uma delas tirar os olhos do celular pra fazer o pedido, mas ela parecia hipnotizada e demorou horrores pra tirar os olhos do celular. Com certeza não estava com fome. Nem sei por que se vai a um restaurante se não se quer comer...  Eu e minha filha conversando sem parar na mesa ao lado: curtindo a comida, a tequila, o ambiente  e tudo o mais, enquanto a mocinha olhava pra nós com ar nostálgico talvez, das conversas que não podia ter com suas amigas. Ela procurou em dois momentos o próprio celular, digitou algumas teclas, mas se desinteressou. Ela claramente queria ficar ali, viver aquele momento e as outras não. Tive pena dela.

É compreensível que o celular seja viciante pra algumas pessoas. Os gênios da informática sabem MUITO BEM o que fazem pra controlar a nós todos...Claro, há toda uma vida e sua parafernália lá dentro. Um brinquedinho cheio de truques secretos: música, internet, fotos, vídeos etc. Tudo num lugar só. Sendo que a vida  continua aqui do lado de fora, com seus parques, praias, restaurantes, salas de cinema , teatros, livros, pessoas. A que os viciados vão sem se aperceberem de que estão lá, do lado de fora, pois  que passaram a viver do lado de dentro.

Acho que algumas pessoas deveriam fazer jejum do celular como budistas, veganos e outros radicais fazem de comida. Assim como o jejum da comida limpa o organismo, segundo os entendidos,  o jejum do celular, tonifica o cérebro.

Percebo pelos meus alunos, os mais viciados, os casos crônicos, são os que menos raciocinam. Sem ofensas.

Há casos gravíssimos mesmo em sala de aula de alunos que confundem o próprio cérebro com o celular. O aluno imagina que o celular é o seu pensamento..quando eu faço uma pergunta(geralmente valendo nota, fora isso eles não se interessam por nenhuma pergunta que eu faça rsrs) ele põe o celular em funcionamento como se fosse os seus neurônios!

Está previsto, que a máquina passará a ser uma extensão do homem, na verdade já o é.O zumbi clássico tão em moda, é o arquétipo desse homem mecanizado, máquina de pensamento nenhum, nenhuma moral nem vontade própria, apenas voracidade...

Sinto que muita gente já age assim, seguindo pela vida como um motor posto simplesmente em funcionamento,  sem muita noção do que quer ser, fazer, transformar, desejar etc.

Bem-vindos à ZUMBILÂNDIA...o caminhante  que não vai a lugar nenhum, porque não pensa!


Descartes deve se revirar no túmulo...

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