quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Obsessões

Há todo tipo de radicalismo na vida. Radicalismo tem a ver com obsessão.

Há profissões que se beneficiam da obsessão. Artistas em geral, escritores, bailarinos, fazem parte dessa galera. Mas cientistas, médicos, estudiosos em geral, também se beneficiam disto. Meu obcecado favorito é o Dr. House. Não dorme, não come e não para de chatear os outros até salvar a vida de mais um condenado à morte.



Eu também, confesso, tenho as minhas obsessões. E não são poucas, para o bem e para o mal...

Mas se há um tipo de obsessão que muita gente admira é aquela dos esportistas radicais, sei lá por quê. Sobem uma montanha podendo perder a vida; se lançam num abismo de cabeça pra baixo, se dizendo mortos de medo de altura e que fizeram isso para “superar os limites” e não sei o que mais... o que é sempre o mesmo motivo, que não chega a ser exatamente um motivo.

Superar os limites é a palavra de ordem dessas pessoas e de seus patrocinadores. Entendo como “superar limites” uma coisa, digamos, mais espiritual, mas se tem gente no mundo que entende assim, que posso fazer?

Que seja! Ainda bem que todos pensam diferentes, por que se há uma coisa tediosa é saber que o mundo é feito de iguais.

Dia desses no multishow vi, por acaso, uma série maluca com uns caras que pretendiam chegar à fronteira da China dirigindo o pior carro do mundo fabricado na velha Alemanha Oriental. Acho que se chama: “No perrengue”. Eles fazem todo tipo de idiotice que se possa imaginar, como enfiar o carro nas dunas pra ficar atolado e coias piores, pra provar nem sei exatamente o quê. Que são aventureiros da pesada? Vale tudo para provar o espírito de aventura ou pra vender uma série pra TV.

Viagem e aventura,(pelo amor de Deus, alguém precisa avisar a essas pessoas), é uma coisa que só interessa a quem faz ou aos seus melhores amigos.

Mas, você não zapeia mais canais sem se deparar com essas aberrações de gente que vende a própria viagem e aventura aos outros, como se fosse de interesse público. Até viagem com cachorro tem...

Depois que viraram moda séries como “Nalu pelo mundo” em que um casal narra as suas aventuras que, sinceramente, só têm graça pra eles mesmos e parece ser sempre o mais do mesmo, o que posso dizer? Eles vão daqui pra ali, com a filha a tiracolo, estudando pelas escolas itinerantes de diversos países, pra provar pro mundo que se é mais feliz vivendo da maneira deles, surfando e viajando. E toma-lhe doutrina. Com uma bela trilha sonora de fundo, é claro, e praias perfeitas pra ninguém perceber nada além da paisagem...rs

O que é um saco, é a venda da própria felicidade assim ostensiva e compulsória, como se todo mundo quisesse ser surfista ou ter exatamente aquele tipo de vida.

Mal passa pela cabeça deles, oh pobreza de espírito humano, que um homem workaholic, por exemplo, possa ser absolutamente feliz, ou melhor, obsessivamente feliz, ou o rico correndo atrás de mais dinheiro etc. Desconfio que a felicidade é uma obsessão e o maluco que sonha com isso e com aquilo é tão feliz quanto outro qualquer com suas ondas surfadas. Sendo que há gente no mundo que nem de praia gosta, o que é muito louco, claro...rs

Lembro-me daquele filminho de sessão da tarde: ”Cartas para Julieta”. Em plena Itália, o que fazia feliz ao noivo dela era rodar pelas vinícolas e restaurantes à procura de ingredientes e receitas novas. Ele vibrava e seus olhos brilhavam com a descoberta de uma nova receita, o que pra ela não fazia nenhum sentido. Ela olhava pra ele, às vezes, como se ele fosse louco, mas eu, que sou também obcecada por culinária, me perguntava: “afinal, o que há de melhor pra se fazer na Itália?” rsrs.



É como eu digo: obsessões não são coisas ordinárias que se possa dar a sua aos outros ou partilhá-las via facebook. Cada um tem a sua!

E felicidade é mesmo uma onda, vai e volta. Até para os infelizes!

Por ora, paro por aqui, sem ondas pra surfar por enquanto, voltando às minhas obsessões literárias e culinárias, com as quais sou absolutamente infeliz e feliz a um só tempo.



Êta vida boa!

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