terça-feira, 20 de maio de 2014

A difícil arte de fazer rir

A comédia sempre foi a prima pobre das artes cênicas. Comediantes sofrem para serem reconhecidos. Molière relutou em reconhecer o próprio talento na comédia, que era vista à sua época  como “uma coisa  menor”. Um ator bom era,  ou deveria ser, um ator de tragédias.
Já se vão os tempos de Molière, no entanto, que nos diga  Jim Carrey  e seu talento tão pouco dignificado pelos poderosos de HOLLYWOOD. Comediantes não ganham prêmios, não ouvem o “The Oscar goes to...”, mas, fazer comédia , quem já tentou sabe, é a coisa mais difícil do mundo. 
E tem tanta gente sem graça que acha que tem graça!
Tive aula recentemente com David França Mendes , roteirista  das antigas, o cara é o cara. Sen-sa-ci-o-nal. Virei fã dele, adorei o David. Ele falou num certo momento da aula que:  “há uma diferença entre humoristas e comediantes”, o que já tinha me dito e insistido a minha filha, que é atriz e sente uma certa  adoração pela “pureza dos conceitos”, vamos dizer assim. Eu,  não via tanta diferença. Mas, bastou ver um programa bizarro, que talvez eu nunca  devesse ter visto, pra concordar  e entender o que eles disseram.  Foi bem triste.
Bem , o “Prêmio Multishow de Humor" é um programa que quer encontrar um grande humorista. Ainda bem que eles procuram um humorista, pois se fosse um comediante, eu ia começar a chorar.
Eles colocaram Sergio Malandro e Miá (nem sei o sobrenome dela) como julgadores. Nunca vi pessoas tão  grosseiras numa avaliação da graça alheia, sendo elas mesmas a “sem gracice” em pessoa. Eles descascam o candidato que está ali se expondo na maior boa vontade. O mínimo que as pessoas mereciam era um pouco de respeito, pois ninguém está lá sem currículo, pelo que percebi no único (e último)  episódio   a que assisti.  Eles deviam colocar um espelho na frente de suas pessoas.
Salvando os outros avaliadores, principalmente Caruso, que é lúcido e pertinente na avaliação(e vamos combinar, um cara muito engraçado), essa Miá enjoadinha , atriz fraca que , na minha opinião,   estraga o par romântico que faz com Fábio Porchat (ele devia procurar uma comediante de verdade) , pareceu um poço de ego em andamento. E com  um sotaque  irritante(que  criticou numa das participantes, faltou o espelhinho , como eu digo...), que não perde nem rezando a ave-maria.Socorrooooo! Como as pessoas “se acham” tão depressa e dando tão pouco? A gente sentia o ranço do “eu sou foda”, “eu sei como se faz”,  em cada palavra.
Já dizia meu vuelo Francisco:  “Quer conhecer um homem?  Entregue-lhe a fama ou o poder”.
O que posso dizer de Sergio Malandro? Não me chegam palavras para criticá-lo.SILÊNCIO!
Como o Brasil consome personas estranhas  assim, é coisa que não entra na minha cabeça.E procuro nem pensar nisso , pra não queimar a bufufa.
Ator é outra história...
Alguns humoristas,  tem o “plus” necessário pra pular do humor pro cômico e virarem bons, maravilhosos  atores,  se continuarem criando e não se entregarem  ao sucesso fácil, o que espero que não aconteça, embora seja o que, via de regra, acontece aqui no Brasil. A rigor sou uma fã  ardorosa de  mortos e dinossauros como irmãos Marx,   Seinfeld  y otras cositas más, que nada tem a ver com o humor brasileiro, mas quem não aposta no humor brasileiro? Afinal,  vivemos no Brasil , queremos que esse país tenha talentos, ora merda.

Mas, na guerra dos humoristas, nem todo mundo pode se tornar um Chico Anysio, a longo prazo. O tempo dirá quem sobrevive, embora, num país de cegos quem tem um olho...

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