domingo, 13 de abril de 2014

"A síndrome de Michael Jackson"


Por que esse assunto me veio à tona? Bem, trabalho com educação e tenho visto coisas nesse sentido que até Deus duvida, assim como, durante a semana fiquei sabendo de uma notícia nos EUA sobre um branco que havia atropelado uma criança negra  e descendo do carro para socorrê-la,  foi linchado pelos negros do bairro, a ponto de ficar mais mal do que a própria criança que ele atropelou sem querer. Nem sei se morreu.

Assim como americanos comuns nunca sabem a diferença entre o português e o espanhol(mesmo em séries que eu adoro vejo esse erro de confundir a língua portuguesa e a espanhola em diversos níveis ,continuamente, assim como pensar que Buenos Aires é a capital do Brasil), também brasileiros comuns não sabem a diferença entre um preconceito e o avesso dele.O que é , deveras, muito perigoso.

Eis uma frase reivindicante, simples e aparentemente inocente: “É por que eu sou preto?”



Quem diz uma frase desta, acredita que é por que ele é preto que algo lhe foi negado, portanto reivindica igualdade de direitos, via questão racial  e  a pessoa para quem tal sentença foi pronunciada, ou  é um autêntico filho da puta racista, ou é inocente e foi atacado injustamente. Neste caso, aquele que o acusou, é que deveria se reinventar como uma pessoa que se aceita como é e não se acha diferente dos outros apenas por causa do seu tom de pele. A famosa “síndrome de Michael Jackson”.

Pele é pele nada mais do que isso. Cinza é cinza, pó é pó. E ao pó....ninguém duvide disso!

A sentença em si: “É por que eu sou preto?” é  um confronto direto que, convenhamos, quase não deixa margens para respostas, é quase uma pergunta que já declara o outro culpado de antemão , já sai acusando o outro. Pura covardia, quando o outro é inocente. Jamais seria proferida se o acusado fosse negro, em primeiro lugar. Perderia toda a sua força, então, só isso, já mostra a fragilidade da sentença...

É quase como dizer: “Eu te processo , seu filho da puta  racista:” , sem ter a menor certeza de que o filho da puta é racista mesmo. E ali, “o filho da puta racista”, que tem família com ascendência negra e não vê a menor diferença entre tons de pele, vê-se no selvagem mundo da fantasmagoria kafkaniana. E com processos reais.

E é óbvio que numa sociedade culpada pelo racismo encoberto, ninguém vai  nem ouvir um inocente branco atacado por um negro. O negro já ganhou de antemão qualquer processo, simplesmente porque ele é negro e ele tem todo o “direito” de acreditar que qualquer coisa que sofra, qualquer contrariedade à sua pessoa é por causa da sua cor e não por outro motivo qualquer, como o seu caráter ,a sua conduta etc.A pessoa "vitimiza-se", por assim dizer.

É difícil uma defesa do inocente neste caso específico. Toda a sociedade organiza-se com leis para defender o direito daqueles que se julgam atacados, mas ninguém cria leis para os acusados injustamente. Se eu gostasse de Direito, esta matéria horrorosa e vã que não protege ninguém de nada, me dedicaria a defender direitos dos inocentes culpabilizados por leis e lógicas radicais, cegas, burras.



Eu, que tenho um pé na África, que ouvia minha mãe cantar pra mim na infância, "Preta, pretinha" dos Novos Baianos e adorava, penso o seguinte:  Se você é racista , você não tem jeito, você merece mesmo a morte. Cresça, monstrinho! Se você é preto, tome cuidado, para não acusar brancos inocentes, por puro hábito e rancor ancestral, porque então nesse caso, o racismo é seu contra os brancos e se você é branco e tem a pura consciência de que não é racista, tome muito cuidado com alguém que chega pra você, assim , do nada,  com essa frase decoradinha na ponta da língua, aparentemente simples mas, totalmente maldosa que um negro que tem orgulho de si mesmo e boa autoestima nunca , nunca mesmo, irá falar: “É por que eu sou preto?”



O preconceito é uma praga. Dos dois lados...



2 comentários:

  1. Esse negócio começou de um tempo para cá. Me lembro na minha infancia e adolescência estudando em Curitiba, cidade com fama de ter povo nazista, que não havia racismo nenhum contra os meus colegas negros. A educação que minha geração recebeu, legado da ditadura, era incisivamente anti-racista, pregava a igualdade das raças, sem distinção e sem essa palhaçada de complexo de baixa estima, perseguição e necessidade de autoafirmação. Ainda me lembro aprender a cantar o Hino da Abolição: "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós". Deviam voltar a ensinar isso, ao invés de ficarem presos em suas gaiolas ideológicas.

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  2. Talvez o racismo fosse enrustido, é o que os negros que eu conheço que são ligados em movimentos reivindicativos alegam...
    De qualquer jeito acho que a TV e o cinema colaboram muito pra reafirmar isso...

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