domingo, 2 de fevereiro de 2014

LADY GAGA, A FASHIONISTA QUASE FELIZ


                 


Não tenho nada contra, nem a favor de artistas como Lady Gaga, Madonna, e todas essas outras desse naipe. Elas me são indiferentes, não me aborrecem, mas também não têm nenhum poder de me entusiasmar, afinal, não é exatamente o estilo de quem gosta de rock, convenhamos. Mas, confesso que a primeira vez que ouvi Christina Aguilera fiquei mesmo muitíssimo impressionada com o poder da sua voz e me perguntei por que cargas d’água uma mulher com aquela voz precisava se expor daquele jeito e  fazer aquele tipo de show  insuportável e ridículo que fazia. Pelo menos pro meu gosto, tentem entender...

Mas a resposta não está tão longe.

Porque é necessário, porque sem isso, ela não seria a Christina Aguilera, mas só uma voz perdida entre tantas outras vozes tão poderosas quanto a dela. Assim como a Lady Gaga não seria conhecida, provavelmente ainda estaria cantando num pub sem ser ouvida por ninguém, como ela mesma falou em entrevista a  Jean Paul Gaultier, se ela não tivesse tirado a roupa uma primeira vez e se exibido nua para chamar a atenção de sua plateia, que não a escutava. A tática deu certo e daí ela percebeu que chamar atenção e provocar era a única maneira de ser ouvida.

Está tudo no filme, na entrevista ao Jean Paul. Note que se ele fosse um repórter qualquer, ouviríamos “entrevista com Lady Gaga”, mas ele é o Jean Paul Gaultier, então , óbvio, que , o filme reportou assim: “Lady Gaga por Jean Paul Gaultier”. Por. Percebam a palavra. Ele é o criador, ela, a criatura. Por.

Lady Gaga é, sem dúvida,  A CRIATURA. Nasceu da ideia de que uma persona, um artista pode ser montado /criado até o último fio de cabelo, ou de peruca, conforme o caso.

É mesmo curioso e um reflexo direto da cultura dos nossos tempos que uma artista como ela tenha que  se apresentar como um produto rentável que gere outras vendas em outros setores. E assim,  ela já é o PACOTE COMPLETO $$$$$$$$. Vem acoplada a um estilista, ou a vários, é frequentadora de carteirinha dos desfiles de moda,  tem clube de fãs,  a quem ela dedica uma série de músicas , com nome próprio e marca : “little monsters”, como ela chama , carinhosamente ; centro comunitário, e, muito importante, ensina os seus fãs “a serem eles mesmos” e não a adorá-la, como ela fez questão de frisar. E até faz vídeos pra enviar a catástrofes internacionais, como a tsunami do Japão , onde incentivou os fãs a comprarem uma pulseirinha criada por ela, para rezar pela recuperação do Japão.Que fofo! E, ao que parece, enviou 1.000.000 pra lá arrecadados com a pulseira, que custava cinco dólares. 

Parece que ela quer abraçar muitas causas.   Quer mudar o mundo.  Ela acredita mesmo que tem esse poder de mudar. Não ficou claro o que ela mudaria exatamente. Bom, talvez ela pretenda entrar pra política de verdade, como Schwarzenneger....o fato é que agora que ela tem esse big sucesso, só lhe resta carregar a fantasia e erguer a bandeira de ser a” Lady Gaga” que os fãs querem e que o mundo compra. Ela até falou em ter muitos  “bebês –gaga “no futuro.

               
           

Que posso dizer? Há quem goste e acho até que ela tem uma bela voz e, ficou claro, quando ela se senta ao piano e mostra seu lado Mozart, que ela saca muito de música. Poderia ser diferente, mas aí talvez, ela não acontecesse , como eu disse antes...

O mundo  agora só  escuta quem grita!


Foi uma impressão pessoal, mas quando o filme acabou, eu fiquei  matutando com a ideia  de que deve ser muito cansativo, um fardo mesmo,  carregar aquela fantasia  toda de” Lady Gaga” pra cima e pra baixo o dia inteiro e nunca se livrar dela. E não estou falando só das roupas.  Os olhos dela quase choravam , e ela quase não se mexia, parecia uma múmia enquanto se dizia “muito feliz” por ter tantos fãs...

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