quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A NOSTALGIA

Antes se aprendia inglês no colégio ou no cursinho decorando gramática; agora, ou não se aprende nunca , ou alguns , parece,  já nascem falando e até mesmo cantando em inglês, o que acho ótimo, já que inglês se tornou a língua do mundo.

As crianças não tinham obesidade mórbida, algumas eram gordinhas( mas, mesmo agora não consigo me lembrar de um amigo de infância gordo) ; também não tinha fast- food (relação causa e efeito).  Nossa cota de doce diário se resumia a uma balinha ou picolé na mercearia do portuga antipático da esquina.  Lembro que o meu pai comprava um pacote de biss na compra do mês e só. Nos finais de semana , vovó fazia  sobremesas em casa: doces portugueses, cheios de gema de ovo e era a cota de besteira. Não tinha essa frescura de criança só comer isso e aquilo, comida era comida e pronto. Bateu no prato, nada de choro. Tinha que comer.

Tá certo que eu morava numa casa de vila, mas brincávamos na rua até ficarmos imundos e só parávamos quando a mãe gritava: “Fulano , vem  tomar banho, almoçar, etc”

Na adolescência, éramos roqueiros e aguardávamos ansiosos pelos lançamentos (que líamos nas revistas)  nas lojas. Alguns amigos fanáticos passavam todos os dias. Quando alguém conseguia uma raridade, íamos todos pra casa do felizardo e ouvíamos o vinil da primeira à última música com extrema paciência, seguida da acalorada discussão do gostei& não gostei, melhor&pior etc. Deve ser por isso que até hoje, eu tenho o hábito, quando posso, de ouvir um Cd do início ao fim, ,  coisa que muita gente não entende. E até ri.

A mesma regra era adotada para livros. Quando alguém gostava de um, emprestava pro colega que o lia na íntegra, não ficava enrolando(pegava até mal pro cara, a leitura era ainda uma coisa extremamente valorizada). Alguns livros meus foram lidos por uns dez amigos ou mais, as páginas capengavam...e toma-lhe durex nas capas coladas. 

É claro que as informações de filmes, livros e CDs estão agora na internet. Você não precisa mais de um amigo que te apresente a Fernando Pessoa, que te diga quem foi Dostoiévski ou o The Animals. Está tudo disponibilizado. Você pode acessar a vida inteira de alguém num click. Mas,  o que parece estar  faltando agora  é justamente aquele espírito de comunidade, de partilhamento. Tudo ficou tão grande, que ficou pequeno. Um paradoxo.

Quantidade não é qualidade...e se eu não sei quem é Fernando Pessoa, como vou fazer uma busca por ele?

São tantas informações, tantas ideias a serem acessadas, que tudo acaba virando uma questão de escolha. E o ser humano nem sempre é bom em fazer escolhas inteligentes. Entre um brigadeiro e uma salada de alface , o que você prefere?  Hein?...

Sei que esse assunto é polêmico, então, continuarei a falar disso depois...beijo pros meus leitores, se eu tiver alguns por aí ...rsrs

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