terça-feira, 3 de dezembro de 2013

To be or not to be?




Tive um amigo, rockeiro de primeiríssima qualidade,  que só ouvia clássicos do rock. E eu ficava, indagando: “Mas nem um Oasis? Um Guns n’Roses? Um Red Hot?” Ele era taxativo e simplificava: “Prefiro as minhas velharias”. E ia pra casa ouvir The Who. Corajoso ele!

É sempre uma coisa muito solitária resistir às novidades da vida!

Eis  que com o tempo aprendi a entender as opiniões do meu amigo. Interessada em literatura contemporânea, andei lendo e comprando vários livros ganhadores de prêmios literários, pra ver ”o que é a que a baiana tinha”  . Mas, desiludida, , conclui , ao final, que deveria retornar aos meus clássicos. Senti muita saudade “das minhas velharias”. Não que fossem ruins os novos , eram até bons, mas não como....

São ”work in progress”, vendidos como se fossem coisas prontas(no sentido da maturidade) , dignas de excelência. Eram tentativas.  Um dia serão,  talvez, mas não agora. Lembremos que Machado de Assis também não era tão bom no começo .

Problemas mercadológicos, sem dúvida,  mania que nosso mundo tem de promover todo mundo em dois segundos a um nível altíssimo sequer imaginado pelos escritores lá do século XIX, que ralavam uma vida inteira para chegarem a tanto. Questão de lucro! E falo do fundo do coração, não gostei de nenhum deles, como gosto dos meus clássicos. Como sou tradicionalista, prefiro beber na fonte!

Quem quer um riacho se pode encontrar o oceano?...

Então...e aqui cabe uma longa reticência!

Eu sei, estou na pilha essa semana, pensando muito em teatro. E agora, seguindo o rumo do que vinha falando sobre Nelson, surge outro questionamento.O personagem deve ou não deve falar consigo mesmo em cena?

No teatro contemporâneo,  devemos  evitar isso. Por Deus, quem inventou essa “regra”?!?!?!

 E é quando  nos lembramos da mais que famosa cena de Shakespeare.Hamlet fala consigo mesmo ou com a caveira? rsrs




Molière utilizava muito o (à parte): “à parte”, pode ser uma  consideração ao público,  ou o personagem enlouquecido consigo mesmo. Eu devo dizer que adoro isso. E, sinceramente, na vida real, quem não fala consigo mesmo? 

É assim que acredito no batismo do tempo, não só em teatro como em Literatura, teatro e tudo o mais.
Sei. A atualidade das coisas tem  lá  sua razão de ser. Ficaria ridículo afinal, alguém no mundo de hoje  encarar  uma caveira e falar: “Ser ou não ser?”...no entanto as pessoas falam com seus celulares, com gente que nunca viu etc.

E agora? Desprezamos a antiguidade aureolada das coisas em busca do menos que a vida nos tem oferecido? 


Eu também não tenho essa resposta...

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