terça-feira, 24 de setembro de 2013

AS AGRURAS DO ACADEMICISMO


Grouxo Marx tinha uma frase que ficou famosa: “Nunca participarei de um clube que me aceite” ou algo assim. O humor judeu  que eu aprecio tanto, acabou indo parar num filme de Woody Allen que eu não lembro mais qual, de tantos filmes que vi dele, woodyana que sou até o último fio de cabelo,como aquela personagem de Paris Manhattan já cheguei até a sonhar com W. Allen...

Muitas vezes  tive oportunidade na vida de ver a aplicação dessa frase. Lembro-me de uma amiga de faculdade, que uma vez aprovada no mestrado o abandonou. Quando a questionei, ela disse que: “só queria ver se podia passar e que tinha ficado decepcionada com a própria aprovação, pois não achava que a academia sabia julgar...” Ora, ora, se não é a aplicação, na prática,  da teoria de Grouxo....

Enquanto muitos se acham o máximo e se promovem nesse nosso mundinho besta,  essa minha amiga, que era, na verdade, muito brilhante, não acreditava na academia, por tê-la aceitado....

A meia dúzia de leitores desse blog  sabe que preciso mudar de vida... E por isso preciso voltar ao clubinho fechado dos acadêmicos, do qual me retirei porque precisava trabalhar e não sobrava muito tempo pra ler textos em Francês e nem muito saco àquela altura de minha vida, devo confessar. Mas todo mundo sabe que um doutorado feito vale mais dinheiro no bolso...

Nem vou comentar o arrepio que sinto quando vejo os poderosos currículos lattes disponíveis na rede...alguns permitem deduzir que seus proprietários não tem vida própria pela quantidade de feitos nas paginas,   ou, é provável que já  tenham queimado as retinas mais do que fatigadas...seria humanamente impossível  realizar alguns dos feitos preditos naqueles currículos, sem feridas à vista...ou teríamos que presumir que , o dia para essas pessoas,  dura bem mais do que 24 horas...

Mas, pensando bem, não é difícil imaginar como tenham chegado a tanto....

Ao tentar publicar um artigo em uma revista , leio as condições para não falar das exigências bibliográficas que são um pé no saco e uma entediante burocracia, com regras inúteis, provavelmente feitas por aqueles que não tem o que fazer , ou para provar que os imaculados, os puros acadêmicos, tem uma força de vontade à toda prova e só  passam pelo túnel  escuro através do qual se enxerga a luz da sabedoria,  aqueles compostos de uma férrea  obsessão...:

“Os trabalhos de pós-graduandos, assim como os de mestres e Doutores sem vínculo com instituições de ensino e pesquisa, só serão aceitos se apresentados em co-autoria com o Prof. Orientador”

Supondo que os “desvinculados” sejam os que estejam afastados a um tempo da academia  e/ou não contem fábulas sobre o Currículo Lattes,   quer dizer que alguém que tem pensamento próprio,  não interessa , pois  não vale o que se  diga ou o que  se escreva e sim que isso seja dito por fulano de tal.

Por mais que eu tenha respeito por minha orientadora de mestrado e eu tenho, supondo que eu seja  neste momento considerada uma “desvinculada”,  não vejo por que ela ser co-autora de um artigo que eu escrevi ou venha a escrever...e nem creio, alias tenho absoluta certeza de que ela não precisa disso!

Mas não é assim que pensa a academia. Dessa forma é possível você ser autor de 500 artigos , dos quais só escreveu 100 ou oitenta, sei lá..desde que tenha um titulo , que faça valer os seus direitos sobre os escritos de outros...


Bem , eu não tenho por que duvidar mais da imensa atualidade das palavras de G. Marx...alguém aí tem?


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